Faz Sentido

É descobrir a grandeza do amor de Deus nos pequenos gestos de cada dia.

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PRÉ-SEMINÁRIO

JOVEM/ADULTO

Uma "proposta credível"

Provocar os jovens para opções radicais na autonomia e na liberdade; Entrar em relação com Jesus Cristo, Bom Pastor, e seus mediadores; Discernir a vontade de Deus e não o que mais pretendemos de d’Ele; Interiorizar a credibilidade de Deus no amor que nos tem até ao fim; Ler os sinais da vida pessoal, as angústias e as esperanças, à luz da fé; Construir, na autenticidade humana, a devida ponte entre fé e mundo; Partilhar, de forma familiar quanto recíproca.

Perguntas Frequentes

Talvez possa parecer ‘sentimentalista’ se não acreditas em Deus, mas nós tornamo-nos padres porque sentimos o chamamento pessoal de Deus. Isso não quer dizer que tivemos alguma experiência de relâmpagos ou vozes. Em vez disso, tivemos um ‘pressentimento’ interior. Mais: crescemos, e passámos conhecermo-nos melhor, reconhecendo os talentos e habilidades pessoais. Sentimos que essa voz nos interpela, como quando reconhecemos o nosso nome no meio de uma multidão. Com o tempo e oração, cada um acredita que essa decisão foi o caminho certo. Decidimos, pelo menos, conceder a oportunidade para o início de um processo de formação, que nos poderá levar a ser bons pastores do Povo de Deus.
Isso depende. Muitos de nós encontraram na família e amigos apoio e encorajamento. Mas, como compreenderás, nem sempre isso sucede. Há, de facto, quem se oponha e tente dissuadir-nos.

Algumas vezes, devido a incompreensões ou medos, a família e os amigos são menos entusiastas acerca da nossa decisão. Nesse cenário, é importante que acreditemos em nós mesmos. Como calar a voz de Deus que ouvimos no nosso coração? E, bem assim, o bom juízo das comunidades e da diocese que pensam que estamos certos e, para isso, nos apoiam.
Porque escolhemos uma forma de vida onde Deus é o mais importante, a oração é central nas nossas vidas. Pensa nisto como um nível profundo de comunicação com Deus semelhante ao tipo de comunicação que acontece entre duas pessoas que se amam. De facto, a relação com Deus cresce e aprofunda-se na oração. Vive-se como um enamoramento.

Porque é importante, muitos padres dispensam cerca de duas horas por dia em diferentes tipos de oração. Parte desse tempo é para rezar com outros na missa. Claro, há outras orações ‘formais’, como a Liturgia das Horas ou o Rosário. E também fazemos leituras espirituais, quer de livros de, como o nome indica, de espiritualidade, quer da Sagrada Escritura, com um método designado de Lectio divina, uma espécie de leitura orante da Bíblia.

Há tempo, ainda, para orar individualmente, lendo ou apenas permanecendo em silêncio. Um dos efeitos positivos da oração, seja qual for a forma que assuma, é o de estarmos despertos para a ação de Deus nas pessoas, eventos e circunstâncias da nossa vida diária. Muitas pessoas, sabendo disso, pedem-nos para rezarmos por elas. E isso é já um sacerdócio.
Nem sempre! Mesmo os monges e as freiras de vida contemplativa – pautada por uma dedicação especial ou exclusiva à oração – passam por ‘períodos de seca’, se assim podemos dizer. Admitimos que, algumas vezes, o nosso tempo de oração parece enfadonho e rotineiro. Mas, enquanto crescemos na nossa experiência de oração, aprendemos também a ajustarmo-nos a essas mudanças. Muitas vezes dependemos do suporte da nossa comunidade ou da ajuda de um diretor espiritual (uma espécie de padre ‘treinador’), para nos ajudar a permanecer na oração durante os períodos difíceis.

Aqueles que são párocos têm as comunidades paroquiais e os amigos padres para ajudar a rezar, mesmo quando seria preferível evitar incómodos. Nisto, como noutras dimensões, procura-se que a fidelidade vença as solicitações desencorajadoras.

É verdade: os nossos esforços nem sempre são perfeitos. Mas, ainda assim, estamos persuadidos da profunda necessidade de Deus. Acreditámos que Deus nos contempla e responde às nossas tentativas de entrar em diálogo.
O padre diocesano serve uma porção da Igreja (uma paróquia), que pertence a uma área geográfica chamada de diocese. Ordinariamente serve o povo como pároco. Sucede também que alguns estão envolvidos em muitas outras formas de serviço, como professores, capelães hospitalares, das forças armadas ou de um estabelecimento prisional, na universidade, etc.

Um padre religioso é um membro de uma congregação religiosa na qual o ministério ultrapassa os limites geográficos desta ou daquela diocese. Tais padres pautam a sua vida por certas virtudes: pobreza, castidade e obediência. A comunidade, à qual pertence, partilha uma visão ou espiritualidade comum. E, quase sempre, privilegia um serviço apostólico especial.
Hoje muitos jovens entram no seminário após o secundário e a universidade, ou depois de trabalhar alguns anos. Há ainda quem tenha equivalência ao 12º ano, através de um curso profissional. Quanto a critérios, porém, cada diocese tem a sua forma de seleção. Algumas pessoas começam na idade dos 18 ou 19 anos, outros mais pelos 20’ e 30’ e poucos. Depois disso, neste momento, só muito excecionalmente.
Em termos de estudo, o enfoque central está na teologia, ou seja, são cinco anos para concluir o Mestrado Integrado em Teologia, na Faculdade de Teologia - Braga, da Universidade Católica Portuguesa. A par do estudo, na academia existem outras aptidões que vão sendo trabalhadas ao longo da formação, como por exemplo a música. Trata-se de um curriculum complementar, para preparar melhor os futuros padres. O sexto ano, designado de ano pastoral, é também de estudo, mas já numa vertente mais pastoral.
O estudo faz parte da vida do seminarista. Existem requisitos, inerentes a qualquer academia, necessários para entrar. Enquanto seminarista, exige-se que cada um dê o seu máximo conforme as suas capacidades. Não tem de ser um intelectual. E, como sabes, há muitas formas de inteligência. Desde que cada um explore os dons que Deus lhe concedeu, em ordem a enriquecer a comunidade, a capacitação aparece para servir melhor.
É um tempo intenso para muitos de nós. Claro que temos fases de grande esforço, emocional e academicamente. Mas não são esses picos de tensão que nos desviam do projeto de ser padre. E isso é maravilhoso. Do ponto de vista académico, é tão desafiante como em qualquer outra universidade. Além disso, quer pelos estudos complementares, quer pelo aconselhamento espiritual, somos encorajados a fortalecer a amizade com homens e mulheres. E, depois, a vida comunitária é um desafio todos os dias. Imagina o que é riqueza de uma família de quase 50 irmãos.
Estritamente falando, um padre diocesano não faz votos solenes como um monge ou uma freira. Contudo, eles prometem castidade e obediência ao seu bispo. Não fazem um voto de pobreza, mas tentam viver de forma simples, para que possam servir melhor o povo de Deus.
Claro que sim! Continuamos a experimentar a nossa humanidade nas suas melhores expressões, sentimentos e desejos. Mas, como pessoas celibatárias, que recebem esse dom de Deus, dedicamo-nos inteiramente às pessoas, no serviço de uma paternidade, não física mas espiritual. A vida de Jesus, neste aspeto, ajuda-nos imenso a modelar a nossa entrega radical.
Isso é o que sempre quis. Mal de nós se não vivemos apaixonados! No sentido de nos colocarmos inteiramente em cada gesto e atitude que temos. Penso que compreendi a tua questão. Referes-te a uma jovem, não? Ou a uma mulher? Bem, isso pode suceder. Como, por vezes, acontece a alguém já casado, não? Outras vezes, o mais comum connosco é que alguém se apaixone por nós. Que fazer? Respeitar a pessoa, mas afirmar a nossa opção, sem conceder a veleidades. A vocação também se apresenta revestida de compromissos. Há certos dons que dificilmente alguém compreenderá.

Obviamente que ficar apaixonado pode ser uma situação dolorosa para um padre. Contudo, sabemos que todos os cristãos enfrentam a dor nas suas vidas. Esta é também uma daquelas dores que nos alegra. Por nos sabermos apreciados ou apreciarmos, na beleza do amor.
Claro que pensámos. É completamente natural que pensemos “e se …”. É a vocação natural de todos os homens e mulheres. Quase todos vivemos rodeados de pessoas casadas com filhos. Vemos, além disso, as recompensas e as lutas da vida matrimonial. A determinada altura, porém, reconhecemos o valor e alegria do nosso estilo de vida, como pais que amam muitos filhos. O pior que nos poderia acontecer seria viver como ‘solteirões’.
Sim. Como as pessoas em qualquer estado de vida. E, como todos, os padres ficam às vezes sós. Numa solidão que, por vezes faz bem e é procurada, e outras, em que é terrível. Mas é assim para todos. Como se sentirá um pai ou uma mãe, que até teve filhos, mas no final da vida não são visitados pelos filhos e netos? É essa a solidão que deveríamos evitar. Todos. Porém, não esqueças, há aquela solidão, que é um estar a sós com Deus, que nos revigora numa espécie de amor escondido. E também esta é para todos. Mas, como compreenderás, é mais frequente que suceda com os padres.