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Pré-Seminário

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Enfermagem, Orgão e conversa fortuita

Temas de reflexão: José Miguel da Silva Neto. Órgão, música rock e S. Martinho de Dume. Exortação à humildade. Suevos e bracarenses. Túmulo, mosteiro e basílica paleocristã. Escola de Enfermagem Calouste Gulbenkian de Braga e serviço hospitalar. Dificuldades e oportunidades dos enfermeiros e enfermeiras. Páscoa pessoal: do hospital ao seminário. Formação musical. Órgãos Pedro Guimarães / Beate von Rodhen, Giovanni Pradella e Johannes Rohlf. SALICUS e concertos. Órgão Henk Klop na capela Cheia de Graça. Música sacra e canto litúrgico: inculturação nas linguagens artísticas e musicais da atualidade. Sair, ver e chamar. Dificuldades e atrações dos jovens.

Enfermagem, Orgão e conversa fortuita

Enfermagem, Orgão e conversa fortuita

Pré-Seminário

01 de Maio de 2017

José Miguel da Silva Neto

Grande Entrevista

 

Órgão, música rock e S. Martinho de Dume

Miguel, que nos podes dizer de ti mesmo?

O Miguel Neto é um jovem natural da paróquia de São Martinho de Dume, em Braga; tem 31 anos e está, neste momento, a frequentar o 4.º ano do Seminário Conciliar de Braga. Gosto, nos tempos livres, de ler, sobretudo livros policiais, de ouvir música, particularmente música para órgão e música rock, e também de ver alguns programas de televisão. Ainda ocupo parte dos meus tempos livres no estudo de órgão.
 
Como dumiense, cultivas uma devoção especial por S. Martinho de Dume? Que dons da sua vida mais te surpreendem? São para ti um repto à vida missionária entre os bracarenses?
São Martinho ocupa um lugar especial na devoção de todos os dumienses. Como bom filho da terra não fujo à regra, procurando crescer na fé e tendo-o como um exemplo a esse nível. Da vida de São Martinho, destacaria a sua inteligência e capacidade de a traduzir em ações práticas que tinham como objetivo primeiro a instrução catequética dos povos do seu tempo.
Destaco também a especial aptidão manifestada para se adaptar às circunstâncias que encontrou, visível quer no trabalho da organização eclesiástica das comunidades cristãs da época, quer na busca para que estas chegassem à unidade na fé católica, e ainda na promoção da correção de aspetos éticos e morais que não se coadunavam com a fé cristã.
Por fim, considero que a sua capacidade para se colocar em “saída”, como pede a toda a Igreja o Papa Francisco, é um desafio para os cristãos de todos os tempos. Por isso, o seu exemplo de ir ao encontro dos outros e dos seus problemas, estando atento às situações e intervindo de forma benevolente, constitui um repto para que também eu me mostre disponível para trabalhar e me envolva na vida e nas necessidades das comunidades cristãs da Diocese de Braga.   
 
Quando terminou a Diocese de Dume? Que bispos mais a marcaram?
A Diocese de Dume terá terminado no início do século XII e os bispos que mais a marcaram foram: São Martinho de Dume, São Frutuoso e São Rosendo.
 
Que obras escreveu S. Martinho? Parece-te que o De correctione rusticorum continuará a ter a sua pertinência, não obstante a distância dos tempos?
As principais obras escritas por São Martinho foram as seguintes: De correctione rusticorum (Da correção dos rústicos), Formula vitae honestae (Fórmula da vida honesta), Exhortatio humilitatis (Exortação da humildade), Sententiae Patrum Aegyptiorum (Sentenças dos Padres do Egipto), De ira (Da ira), De trina mersione (Da tripla imersão), entre outras.
O livro De correctione rusticorum traduz de forma particular o empenho pastoral de São Martinho de Dume. Com esta obra pretendeu catequizar e discernir comportamentos, instituir normas de vida e afastar os fiéis das superstições e práticas pagãs que, não obstante a conversão ao catolicismo, ainda se difundiam nesta zona. Pode dizer-se que os séculos passaram, mas algumas destas questões permanecem atuais, ressurgindo nos dias de hoje. Do que me vou apercebendo, tem crescido consideravelmente, por exemplo, o fascínio pelo esoterismo, pelo ocultismo, pelos cultos astrais e o culto da natureza, apresentados hoje como alternativas mais “eficazes” que o Cristianismo na resolução dos problemas das pessoas. Considero, por estes motivos, que obras que, na linha do De correctione rusticorum, se dediquem a purificar este tipo de comportamentos têm a sua pertinência nos dias de hoje.
 
Exortação à humildade

Como referiste, ele escreveu a Exhortatio humilitatis. Será necessário ainda hoje continuar a fazer exortações à humildade?
Percebermos que não estamos acima nem abaixo de ninguém, mas todos no mesmo patamar de dignidade e igualdade, porque todos somos seres humanos e, os cristãos, filhos do mesmo Pai, é uma mensagem intemporal. É bom que não nos esqueçamos disto. Na sociedade atual parece singrar um espírito de competição em que, para alcançar o sucesso e a felicidade individual, é necessário “eliminar” aqueles que nos parecem concorrentes às nossas intenções. Nesse sentido, as exortações à humildade, isto é, a sabermos que só vivendo em cooperação com os outros seremos mais humanos, são hoje cada vez mais necessárias.
 
Ele escreveu também o De trina mersione? Por que motivo teve ele de escrever esta obra? Seria importante em nossos dias reimplementar o batismo por imersão? Porquê?
O De trina mersione (Sobre a tripla imersão) surge no contexto de uma disputa acerca do número de imersões do banho batismal, que se deu na Igreja Hispânica cerca do século VII. Nessa época, o arianismo era uma heresia que detinha grande influência, mormente entre os visigodos, povos que, por negarem a divindade de Cristo, passaram a pretender apenas uma imersão. A resistência visigótica face à tradição apostólica levou São Martinho de Dume a escrever o referido opúsculo para defender a tríplice imersão, que simboliza os três dias que Cristo permaneceu no sepulcro e a adesão à Trindade, em conformidade com tradição apostólica.
Note-se que o batismo por imersão tem uma forte carga simbólica. O Espírito Santo, que se torna presente na água pela bênção, santifica a água que vai purificar o batizando, libertando-o do pecado e tornando-o participante do mistério pascal de Cristo e da vida trinitária. A imersão significa tanto quanto simboliza o tempo de permanência de Cristo no sepulcro. Ao ser imergido e emergido na água, o batizando morre para o pecado e renasce para a vida nova em Cristo.
Penso que seria importante reimplementar o batismo por imersão, evidenciando-se deste modo o seu simbolismo profundo, o que poderia ajudar a revalorizar o sacramento do batismo, cujo significado se encontra, em meu entender, algo esquecido. É claro que isso implicaria recuperar os antigos batistérios e piscinas batismais, pois as atuais pias batismais não permitem esta prática, mas a carga simbólica de se sentir renascido para Deus e para a vida nova Cristo poderia constituir um importante contributo para impulsionar a vida das nossas comunidades cristãs.   
 
Suevos e bracarenses

Porque ele é conhecido como o "apóstolo dos suevos"?
São Martinho de Dume é considerado o “apóstolo dos suevos” porque foi o principal responsável pela conversão desse povo ao catolicismo. De facto a sua ‘circunscrição’ não era territorial, mas pessoal, no caso o povo suevo. Recordo que os suevos, tal como os visigodos de que já falámos, eram até então seguidores do arianismo, heresia cristológica fomentada por Ário, que nega a divindade de Jesus Cristo.
 
Em que circunstâncias se tornou ‘apóstolo dos bracarenses’?
São Martinho de Dume tornou-se bispo de Dume em 556. O território da diocese correspondia nessa altura aos territórios sob a alçada do mosteiro de Dume. A elevação a episcopado terá ocorrido dada a grande estatura moral e intelectual de São Martinho, a que acresce ainda dois factores: o facto de o mosteiro se ter tornado um importante centro de formação e difusão da vida cristã e de cultura e o papel desempenhado pelo santo na conversão dos suevos. É claro que uma elevação a diocese nestes termos foi um acontecimento inédito no Ocidente!
Posteriormente, cerca do ano 569, falecendo o bispo Lucrécio, metropolita de Braga, sucede-lhe São Martinho, que se mantém como bispo de Dume e abade do seu mosteiro. Na nova incumbência de metropolita de Braga, promoveu a reorganização paroquial e criou novos bispados, no que novamente foi marcante.
 
Quais foram os principais contributos de S. Martinho para a Igreja e a sociedade do seu tempo?
São Martinho de Dume foi um dos principais promotores do monacato e da cristianização nesta região da Península Ibérica. A importância da sua ação pode ser aferida a partir das Atas dos Concílios de Braga, realizados nos anos 561 e 572. No Concílio de 561 procurou combater várias heresias, enquanto que no de 572 se preocupou com a organização eclesiástica, a regulamentação da conduta dos clérigos, a supressão das práticas pagãs e o estabelecimento de procedimentos canónicos. Assim, conseguiu reorganizar a Igreja bracarense, doutrinando-a e incutindo nos clérigos normas de vida exemplares.
Um dos seus contributos de maior destaque é, por exemplo, a alteração da nomenclatura dos dias da semana. São Martinho considerava indigno que os cristãos usassem a nomenclatura latina pagã que associava os dias da semana aos deuses pagãos: Martis dies, Mercurii dies, etc. Assim, foi o primeiro a utilizar a denominação eclesiástica – Feria secunda, Sabbatum, Dominica Dies, etc. – que está na origem da nomenclatura portuguesa ­– segunda-feira, sábado, domingo – algo que todos reconhecemos como único entre as línguas novilatinas. Na mesma linha, terá tentado alterar também os nomes dos meses do ano, embora sem sucesso.
 
Túmulo, mosteiro e basílica paleocristã

Onde se conserva o seu túmulo? Tem características especiais? Pode ser visitado?
O sarcófago dito de São Martinho de Dume encontra-se conservado e disponível para visita no edifício principal do Núcleo Museológico de Dume, situado junto à igreja paroquial de Dume. É uma obra que data de entre os finais do século XI e os inícios do século XII, e segundo os especialistas é uma das mais brilhantes peças de escultura funerária pré-românica que atualmente se encontra em território português. O sarcófago é constituído por duas peças em pedra ançã (calcário): uma arca tumular com cavidade antropomórfica, em que o lado direito está decorado com baixo-relevo; e uma tampa ligeiramente trapezoidal que também contém baixo-relevo na parte superior.
No baixo-relevo existente no lado direito foi esculpida uma cena composta por uma personagem central nimbada, em posição de oração por detrás de um altar com frontal reticulado, por sua vez enquadrada no arco central de um edifício com mais dois pares de arcos menores e cobertura de tegulae. De cada lado da figuração central distribuem-se nove personagens, quatro em primeiro plano e cinco em segundo plano, todos vestidos com roupagens pregueadas, de mangas largas, que aparentam ser casulas. Para alguns autores esta cena representará o próprio São Martinho de Dume e a sua comunidade monástica.
Na tampa, foi esculpida outra cena que consiste num medalhão central circular desenhado por uma coroa de louros, abrigando a representação de Cristo em pé sobre um pequeno banco, com um livro nas mãos e nimbado, entre nuvens. Este medalhão central parece transportado por dois anjos. É ainda visível a representação dos quatro Evangelistas, dois de cada lado da figura central, sobre banquinhos e de forma antropo-zoomórfica: corpo humano alado, vestido com túnica e manto, e cabeça de animal. À direita de Cristo está São Marcos, com cabeça de leão e São Mateus, com cabeça de homem; à esquerda estão São Lucas, com cabeça de touro e São João, com cabeça de águia.
 
Que elementos se podem observar do antigo mosteiro e da basílica paleocristã? A basílica tinha iconóstase?
O mosteiro ou cenóbio de Dume remonta originalmente à adaptação feita por São Martinho de Dume de uma “villa” romana ali existente, encontrando-se por isso ali vestígios de paredes e caleiras, não me sendo possível, neste momento, avançar mais dados.
Quanto às ruínas arqueológicas da basílica paleocristã de Dume, estas são uma referência internacional da arqueologia cristã e estendem-se sob a atual igreja paroquial e pelo adro, numa área superior a 750 m2. A basílica terá sido mandada construir pelo rei suevo Charrarico, cerca do ano 550, consagrada a São Martinho de Tours e elevada por São Martinho de Dume a sede episcopal, após a fundação do mosteiro. Tinha cerca de 33m de comprimento por 21m de largura. Conservam-se restos da fachada, da nave, da quadra central e da cabeceira, tendo sido por isso possível reconstituir o traçado global do primitivo templo. O edifício ostenta uma planta em cruz latina orientada a Oeste-Este, com cabeceira trilobada e uma só nave. A divisão dos espaços estava bem delimitada: nave retangular, com passagem à quadra central marcada por arcatura tripla que se apoiava em quatro pares de colunas, formando uma iconóstase de triplo vão.
 
Que tipo de ruínas foram identificadas nas escavações que, entretanto, foram realizadas no perímetro da atual igreja e redondezas?
As escavações realizadas no perímetro da atual igreja e redondezas têm passado por várias fases ao longo das últimas décadas. Dessas ruínas arqueológicas, para além dos vestígios da basílica anteriormente referida, destacam-se: uma "villa" romana com zona habitacional parcialmente recuperada e edifício balnear; e algumas sepulturas de forma retangular, definidas por caixa composta por lajes de granito e/ou tijolo e cobertura semelhante, que integram uma necrópole alto-medieval, composta por sepulturas que apresentam como característica comum serem de inumação em caixa pétrea bem estruturada, de formato retangular e orientadas a Este-Oeste.
 
Escola de Enfermagem Calouste Gulbenkian de Braga e serviço hospitalar

Foste acolhido no Seminário Conciliar de Braga, depois de teres concluído o Curso de Enfermagem. Que Escola de Enfermagem frequentaste? Que recordações mais significativas conservas desse tempo?
Frequentei a Escola Superior de Enfermagem Calouste Gulbenkian de Braga, atual Escola de Enfermagem da Universidade do Minho.
Do tempo passado na Escola de Enfermagem, recordo as pessoas que conheci, com que ainda mantenho um contacto regular pois, em certos casos, fazem parte do meu grupo de amigos. Recordo também muitas das experiências que tive, sobretudo ao nível do contacto com doentes em meio hospitalar, durante os ensinos clínicos, que me proporcionaram conhecimentos que ainda hoje são úteis no dia-a-dia.
  
Por quanto tempo e em que instituições exerceste a tua profissão?
Exerci durante cinco anos. Comecei por trabalhar durante um período de seis meses no Serviço de Urgência do Hospital Particular de Lisboa. Em seguida, trabalhei dois anos e meio no Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital de Santa Marta, também em Lisboa. Por fim, trabalhei dois anos no Serviço de Doenças Infeciosas do Hospital de S. João, no Porto. 
 
Dificuldades e oportunidades dos enfermeiros e enfermeiras

Como interiorizas as dificuldades e as oportunidades de tantos enfermeiros e enfermeiras que, como sabemos até por recurso a greves, têm reivindicado melhores condições de trabalho? Como tens interpretado o êxodo de tantos profissionais deste setor para outros países?
Atualmente, as condições de trabalho para a maioria dos enfermeiros em Portugal não são as ideais para uma prestação de cuidados de enfermagem de excelência. Essas “más” condições repercutem-se sobretudo no rácio enfermeiro/doente, que está aquém do preconizado pelas instituições internacionais como a Organização Mundial de Saúde, o que implica uma maior carga de turnos de trabalho para os profissionais dos serviços. Esta é talvez a maior causa de dificuldades, a que se vêm associar outras como, por exemplo, as baixas remunerações mensais e a perda de benefícios, além da inexistência de uma carreira de enfermagem definida e implementada, o que impede a progressão na carreira por parte dos enfermeiros. Algumas destas dificuldades já eram sentidas no tempo em que eu exercia a profissão, e geram alguma desmotivação nos enfermeiros, pois é difícil trabalhar sem perspetivas de progressão na carreira.
O êxodo de enfermeiros tem acontecido porque as admissões destes profissionais em hospitais e centros de saúde em Portugal, sobretudo no setor público, têm sido mínimas, além do que muitos dos contratos propostos oferecem condições precárias de trabalho (contratos de curto prazo, remuneração abaixo do limite permitido por lei, etc.). Saliente-se que o plano de estudos de uma licenciatura em enfermagem em Portugal é muito completo e muito mais especializado que na maioria dos países europeus. Associada a essa elevada formação e especialização está a falta de enfermeiros nesses países, os quais, propondo condições de trabalho muito superiores às oferecidas em Portugal, são muito atrativos para os enfermeiros portugueses. É claro que esta situação não é a ideal, pois estes profissionais fazem falta em Portugal, mas no mundo globalizado de hoje é fácil perceber a opção tomada por muitos enfermeiros que abandonam o nosso país em busca de melhores condições de vida, pois para a grande maioria dos recém-licenciados a perspetiva é o desemprego.
 
 
Páscoa pessoal: do hospital ao seminário

No teu caso, tinhas já um local de trabalho estável. Ainda assim, o teu discernimento levou-te a migrar para outra Instituição, o Seminário. Como se processou esta ‘páscoa’ pessoal?
Decidi deixar de exercer a profissão de enfermeiro porque, a dado momento do meu percurso profissional, comecei a perceber que, apesar de gostar do que fazia como enfermeiro, não me estava a sentir plenamente realizado e feliz. Comecei então a pensar em alternativas, desde a mudança de país até à mudança de profissão.
Durante esse período de reflexão acerca do futuro, relembrei um convite que me tinha sido feito por um sacerdote, quando eu tinha dezanove, vinte anos. Nessa altura, numa conversa fortuita, esse sacerdote propôs-me a entrada para o Seminário. Eu recusei porque não me parecia um caminho que me fizesse feliz, além do que, na época, estava determinado em prosseguir os meus estudos na Escola de Enfermagem. Porém, apesar de essa memória ter vindo de novo ao pensamento, durante uns tempos, decidi continuar a ignorá-la dado o meu percurso profissional, em parte porque tinha medo da reação dos amigos e familiares por, aos vinte e oito anos, resolver fazer uma mudança de vida que para muitos é demasiado radical. Só mais tarde decidi saber como poderia fazer um discernimento vocacional acompanhado.
 
Que instâncias e pessoas encontraste disponíveis para te acompanhar no processo de discernimento vocacional?
Quando tomei a decisão de iniciar o discernimento vocacional, tive o apoio dos meus pais, dos meus amigos e do meu pároco. Por intermédio de um outro sacerdote, foi-me recomendado entrar em contacto com o responsável pelo Pré-Seminário para adultos, o padre Joaquim Félix, do Seminário Conciliar de Braga.
 
Como chegaste ao Pré-Seminário? Que balanço fazes desse tempo e das dinâmicas desenvolvidas nos encontros que participaste?
Como disse anteriormente, cheguei ao Pré-Seminário, após entrar em contato com o padre Joaquim Félix. Mas também pesquisei algumas informações no website do Seminário.
O tempo de Pré-Seminário foi um tempo muito importante para o discernimento vocacional. Nele tive oportunidade de contactar com outros jovens que se encontravam na mesma situação que eu, com seminaristas e com sacerdotes, quer da equipa formadora, quer outros sacerdotes convidados, que, ao longo dos encontros mensais em que participei, foram dando o seu testemunho vocacional, partilhando experiências e respondendo às dúvidas que eu tinha. Essas conversas, e as dinâmicas desenvolvidas nesses encontros, permitiram-me formar uma base na qual assentou a minha decisão de rescindir o contrato de trabalho que me vinculava à última instituição hospitalar em que trabalhei e entrar para o Seminário Conciliar.
 
Que ideia tinhas e, agora, tens do Seminário? Que perceção têm os jovens dos Seminários Arquidiocesanos de Braga?
Eu conhecia muito pouco do Seminário e do seu funcionamento. Sabia apenas que era o local onde se formavam os sacerdotes. Após começar a frequentar o Pré-Seminário, comecei a perceber que, para além de um local físico, o Seminário é uma comunidade, uma segunda família, no seio da qual, na vivência do dia-a-dia, eu e os meus colegas temos a oportunidade de discernir a vontade de Deus para as nossas vidas. Esse discernimento é também feito através de uma formação integral e diversificada a nível humano, espiritual e intelectual, em virtude de os desafios colocados a um sacerdote nos dias de hoje serem vários e complexos.
Apesar dos esforços que têm sido feitos para dar a conhecer os Seminários Arquidiocesanos, penso que os jovens ainda não têm uma ideia clara do que é um Seminário. Considero que este desconhecimento também surge do facto de o Seminário não ser proposto nem dado a conhecer a muitos jovens que, se conhecessem um pouco mais, talvez pudessem arriscar fazer uma experiência de discernimento vocacional.
 
Formação musical

No Seminário tiveste oportunidade para dar sequência aos estudos de música. Como está articulado o curriculum da formação musical no Seminário Conciliar?
Todos os seminaristas do Seminário Conciliar têm aulas bissemanais de Canto Coral e Polifonia, ministradas pelo prof. José Carlos Miranda, com colaboração do Pe. Juvenal Dinis. Além disso, o curriculum integra dois anos de formação musical; dois anos de cultura musical, onde é abordada a história da música e a audição comentada, sendo estas duas componentes lecionadas pelo prof. André Bandeira.
Contempla igualmente um ano de introdução ao piano, a cargo do Pe. Marcelino Esteves, que pode depois ser prosseguido com aulas de introdução ao órgão e harmonia, ministradas pelo prof. André Bandeira.
Temos também aulas de canto Gregoriano (níveis I e II), lecionadas pelo prof. José Carlos Miranda. Finalmente, no sexto ano, a formação contempla ainda a unidade curricular de Música Pastoral, ministrada pelo prof. André Bandeira, onde são analisados os documentos do Magistério que se referem à Música Sacra e Litúrgica, além da aquisição de noções acerca da preparação musical de uma celebração, o que inclui o canto do celebrante, a criação de uma estrutura musical numa paróquia, bem como elementos relativos à aquisição/restauro de órgãos de tubos.
 
Quando começaste a tocar órgão? Quem te deu os primeiros ensinamentos? Tocavas só na paróquia de origem?
Comecei a tocar órgão pelos dez anos de idade, numa pequena escola criada na Associação Cultural e Recreativa de Dume (ACRD), por iniciativa do professor António da Costa Gomes, diretor artístico do Grupo Coral da mesma associação. A criação dessa escola teve por objetivo dotar o Grupo Coral da ACRD de organistas que não só acompanhassem o coro, quer em celebrações litúrgicas, quer em concertos corais, mas também que estivessem ao serviço da paróquia para as celebrações em que esta deles necessitasse, mesmo sem a colaboração do coro da ACRD. Durante um largo período de tempo, essa escola proporcionou os conhecimentos básicos ao nível da formação musical e de teclado a um grupo de alunos alargado, pois não se limitava a acolher membros da ACRD, ou moradores em Dume, formando igualmente elementos das paróquias vizinhas, como por exemplo Frossos e Mire de Tibães.
Inicialmente, tocava apenas em Dume, embora mais tarde tenha colaborado com o coro da paróquia de Santa Maria de Panoias, ensaiando o mesmo e acompanhando-o ao órgão nas eucaristias dominicais e de festa.
 
Foi importante para ti continuar a prática instrumental em órgãos de tubos. Que importâncias dás ao estudo acompanhado por professores?
O órgão sempre foi para mim um passatempo. É algo que gosto de fazer, mas nunca foi meu objetivo formar-me na área da música, ou do órgão em particular. A entrada no Seminário deu-me a possibilidade de aprofundar os meus conhecimentos musicais, nomeadamente na técnica de órgão, iniciando o estudo da pedaleira, bem como na área da harmonia. Neste percurso, tenho sido acompanhado pelo professor André Bandeira.
Em meu entender, o estudo acompanhado permite alcançar um maior rendimento visto que nessa modalidade o ensino é mais direcionado às necessidades de cada aluno, o que permite potenciar as capacidades de cada um e, ao mesmo tempo, encontrar estratégias para colmatar aqueles aspetos em que cada um tem mais dificuldades.
 
Órgãos Pedro Guimarães / Beate von Rodhen, Giovanni Pradella e Johannes Rohlf

Que dizes do investimento do Seminário no sector dos órgãos de tubos? E dos novos órgãos?
Nos últimos tempos, o Seminário tem feito o esforço de investir em órgãos de tubos, quer para proporcionar uma maior dignidade às celebrações, quer para potenciar a formação musical dos seminaristas. Depois do órgão Pedro Guimarães / Beate von Rodhen, que se encontra na capela Árvore da Vida, o Seminário adquiriu recentemente mais dois: o órgão construído por Giovanni Pradella e o órgão construído por Johannes Rohlf. Penso que são instrumentos muito bem adaptados aos espaços litúrgicos onde estão colocados, bem como ao tipo de celebrações que se realizam nesses mesmos espaços, o que enriquece essas mesmas celebrações. A sua qualidade permite ainda que os seminaristas que se dedicam ao estudo de órgão possam desenvolver as suas capacidades, sendo igualmente instrumentos que proporcionam momentos culturais muito enriquecedores para nós, nomeadamente os concertos de órgão. Por fim, são instrumentos que vêm enriquecer o grandioso e valioso espólio organístico da cidade de Braga.
 
Em Braga parece viver-se com particular entusiasmo a redescoberta dos órgãos de tubos. A que fatores se deverá tal impulso?
No meu entender, esta redescoberta deve-se ao facto de existir um cada vez maior número de pessoas que estão a receber formação musical e formação em órgão, nomeadamente na Escola de Música Litúrgica de São Frutuoso, em Real. Aprendendo a tocar, quererão fazê-lo em bons instrumentos, e um órgão eletrónico, por muito bom que seja, é incapaz de igualar a qualidade e a sonoridade de um órgão de tubos.
É também de ressalvar o papel de iniciativas como o Festival de Órgão de Braga, que muito ajudam na divulgação dos instrumentos que a cidade possui e que levam a que se redescubra o fascínio exercido por este belo instrumento, desde há muito apelidado de “rei dos instrumentos”.
 
O que será ainda necessário para que os órgãos históricos voltem a tocar de forma regular nas igrejas? Que medidas deveriam ser tomadas para cuidar os restauros?
Antes de mais é necessário continuar a promover a formação adequada de organistas; sem eles os órgãos não tocam. Embora os órgãos históricos tenham certas caraterísticas que nem sempre se adaptam às características de alguma da música litúrgica contemporânea, isso não deve levar a que os mesmos sejam postos de lado, limitando-se o seu uso unicamente aos concertos, pois com algum esforço é possível conciliar a tipologia desses órgãos com a música atual, mesmo que o órgão histórico não acompanhe a totalidade dos cânticos usadas na liturgia.
No âmbito do restauro é fundamental que este seja cuidado. Penso que os responsáveis pelos órgãos, antes de avançarem para qualquer processo de restauro, devem consultar especialistas em órgão, no caso organistas que formem uma comissão técnica, de modo a se perceber o tipo de intervenção a realizar e a partir daí se desenvolverem processos transparentes, em contacto, sob a orientação e atendendo à mestria de organeiros habilitados a realizar verdadeiros atos de conservação e restauro.
 
SALICUS e concertos

Foi confiado ao Pe. Juvenal e aos Professores de música do Seminário a publicação da SALICUS, revista de música litúrgica. Parece-te importante articular o ensino com a produção da música litúrgica? Que mais valorizas nesta nova revista?
A revista de música litúrgica SALICUS procura uma continuidade na inovação. Foi pelo menos neste sentido que interpretei o seu surgimento, após o fim da Nova Revista de Música Sacra de Braga. A articulação entre ensino e produção de música litúrgica parece-me benéfica, dado que potencia as duas vertentes pelo contacto entres aqueles que aprendem e os que ensinam durante o processo criativo, percebendo ao mesmo tempo as necessidades musicais e os passos a dar para satisfazer essas necessidades.
Desta nova revista, tendo como base de opinião apenas o primeiro número, valorizo o esforço por apresentar obras bem compostas, que ajudem a melhorar a qualidade do repertório disponível para os coros. Destaco também os exercícios disponibilizados para os organistas desenvolverem as suas capacidades técnicas, bem como as dicas úteis para os diretores de coro poderem desenvolver melhor a sua atividade.
 
A par da produção e do ensino da música, tem-se desenvolvido uma forte dinâmica ao nível dos concertos. Que experiências tens tido nos recentes concertos de órgão?
A experiência de assistir a concertos de órgão não é nova para mim, pois no tempo em que residi na cidade do Porto tive oportunidade de assistir a vários concertos do género. Todavia, os concertos recentes possibilitaram algo de novo, visto que foram concertos que se enquadram num ciclo inaugural de apresentação dos órgãos do Seminário, o que me permitiu conhecer em primeira mão as potencialidades dos mesmos órgãos, algo que até aí ainda não me tinha sido possível compreender totalmente. De igual forma, possibilitaram a escuta de obras que eu desconhecia, bem como ter contacto com alguns dos melhores organistas a nível mundial, como Sietze de Vries ou Jean-Pierre Leguay.
 
Na passada quarta-feira santa, os Seminários Arquidiocesanos promoveram, na capela Imaculada, um concerto dedicado às Sete últimas palavra de Cristo na Cruz, com música de Joseph Haydn, interpretada pelo Quarteto Lacerda, e a recitação pela voz de Luís Miguel Cintra. Como viveste o concerto? Ajudou-te a entrar nos mistérios do Tríduo Pascal?
O concerto foi para mim um momento de introspeção, de pausa, de procura de silêncio interior. Quer a música interpretada, quer a recitação das passagens bíblicas me permitiram meditar nos últimos momentos da vida terrena de Cristo, servindo como introito para as celebrações e procissões que tive oportunidade de viver nos dias seguintes.
 
Órgão Henk Klop na capela Cheia de Graça

Na capela Cheia de Graça, que se encontra dentro da capela Imaculada, já lá está um órgão H. Klop, ao serviço da comunidade do Seminário Menor. Podes apresentá-lo?
O órgão da capela da Cheia de Graça foi construído pelo organeiro holandês Henk Klop. É um órgão positivo de dois registos e meio: Bordão 8’, Flauta 4’, e na parte do discante conta com um registo Principal 8’.
Na caixa do órgão podemos observar alguns elementos fitomórficos, cujo desenho esteve a cargo do escultor Asbjörn Andresen, que se inspirou em folhas de um jardim de Braga.
Sei que antes deste, Henk Klop tinha acabado de entregar um outro órgão de arca, no caso para a capela da universidade de Oxford. A Orquestra da Casa da Música possui também um órgão Klop.
 
Música sacra e canto litúrgico:
inculturação nas linguagens artísticas e musicais da atualidade

Que discernimento estará na base das apreciações e dos desafios que o Papa Francisco proferiu no discurso aos participantes do congresso internacional, organizado pelo Pontifício Conselho da Cultura e a Congregação para a Educação Católica, para assinalar os 50 anos da publicação da Instrução Musicam Sacram? Porque terá ele insistido nestes termos: «É necessário fazer com que a música sacra e o canto litúrgico sejam plenamente inculturados nas linguagens artísticas e musicais da atualidade.»?
A Instrução Musicam Sacram é um documento que surge no seguimento do II Concílio do Vaticano, e que emanou um conjunto de normas de modo a que se alcance o objetivo primeiro da Música Sacra, “que é a glória de Deus e a santificação dos fiéis”, procurando a máxima dignidade das celebrações litúrgicas. Entende-se por Música Sacra aquela que, criada para o culto divino, possui as qualidades de santidade e de perfeição de forma. Mediante a expressão Música Sacra designam-se o canto gregoriano, a polifonia sagrada antiga e moderna nos seus vários géneros, a música sagrada para órgão e outros instrumentos admitidos e o canto popular, litúrgico e religioso.
Penso que as apreciações e os desafios do Papa poderão ter sido lançados pela necessidade de salvaguardar o património musical da Igreja, mas também pela necessidade de, à semelhança do passado, se ir adaptando a linguagem musical sagrada às novas linguagens musicais que vão surgindo, sem contudo deixar de ter em conta o propósito da música sacra, pelo que há que respeitar algumas normas de modo a que nem tudo seja admitido, pois nem tudo serve para dignificar a liturgia e para dar glória a Deus. Penso que é óbvia a necessidade de atender aos contextos culturais de cada região, mas se é verdade que a música a adotar em África não pode ser igual à que se usa na Europa, é igualmente verdade que o que se faz na África ou na América Latina não pode ser igual ao que se canta na Europa; as sensibilidades são diferentes.
No meu entender, a tentativa de “modernizar” a música litúrgica, sem ter em conta o passado e as normas existentes, copiando o que se faz noutros locais ou adaptando músicas de géneros musicais que pouco têm a ver com a liturgia, como o “pop/rock”, tem sido uma das causas do declínio de qualidade da música que escutamos na liturgia.
 
Porque será que os jovens gostam de servir nos coros litúrgicos, nomeadamente nas missas de sábado à tarde? Sem pretender julgar ninguém, como avalias a qualidade da maior parte da música que eles cantam e tocam? Como dar o salto de qualidade que tanto se deseja?
É um dever de todos os fiéis colaborar nas atividades da paróquia. Cantar numa celebração é dever de todos os que nela participam, e não apenas do celebrante principal ou do coro. Por isso, encaro com naturalidade a participação dos jovens, cantando e trazendo desse modo a sua jovialidade para as celebrações.
Todavia, nem sempre existe, naquilo que é apresentado e na forma como é cantado/tocado, a qualidade necessária para elevar a dignidade das ações litúrgicas. Penso que isso acontece por desconhecimento daquilo que se pretende com a inclusão da música na liturgia, por não se terem presentes as normas emanadas pelo magistério e por falta de formação quer musical, quer litúrgica. No meu entender, se forem promovidas ações de esclarecimento que mostrem o que usar e como usar, ao nível da música litúrgica, será possível dar o salto qualitativo desejado, pois uma caraterística dos jovens é a sede de conhecimento e vontade contínua de aprender. Não faltam exemplos de grupos de jovens que inicialmente apostavam num determinado tipo de música, muitas vezes pouco adequado para a liturgia, e que, após alguns esclarecimentos e com exemplos práticos, passaram a celebrar, cantando, com mais qualidade e dignidade.
 
Sair, ver e chamar

«Sair, ver e chamar» são as orientações do Papa Francisco deu para promover a pastoral vocacional. Parecem-te ajustadas para o nosso panorama?
Sim, parecem. O sair de si, dos seus esquemas, da sua comodidade é um desafio, pois leva-nos a entrar no campo do desconhecido, o que acarreta por vezes desconforto. Além disso, traz também o confronto com perguntas e situações às quais temos receio de responder. Porém, só saindo, olhando a realidade tal como ela é e procurando compreendê-la, é que seremos capazes de cativar alguns para pensarem num projeto vocacional diferente, que passe pela consagração a Deus.
 
O Papa Francisco recordou ainda que os bispos e os padres são os principais responsáveis pelas vocações. Parece-te que são assim tão decisivos? Porque terá ele insistido tanto nesta responsabilidade?
Bispos e padres são muitas vezes encarados como uma das faces “visíveis” da Igreja. Muitas pessoas ainda olham para os padres como modelos a seguir. Se estes pautarem a sua ação pelos critérios evangélicos, como verdadeiros discípulos de Cristo, podem, no meu entender, constituir um verdadeiro espelho de Cristo e com isso atrair os jovens, e não só, para optarem por uma vocação religiosa. Penso que a insistência do Papa Francisco se prende com este ponto da visibilidade da ação que um bispo e um padre podem alcançar junto das pessoas.
Além disso, sendo responsáveis por guiar as comunidades, são aqueles que melhor conhecem as características e necessidades das mesmas, podendo implementar medidas adequadas para cada situação.
 
Ele disse-lhes que «podem ouvir os jovens, ajudá-los a discernir as ações dos seus corações e orientar os seus passos», na condição de saírem ao encontro das pessoas. Que questões te levanta a diminuição das vocações consagradas? Será que se tem saído pouco ao encontro das pessoas? Haverá carência de proposta de discernimento?
A diminuição das vocações consagradas é um dos grandes desafios que a Igreja Católica enfrenta, nomeadamente na Europa. Inquieta-me o facto de muitas das obras da Igreja, sobretudo as de cariz social, poderem ficar em risco, ao serem geridas por instituições religiosas que começam a ter poucos membros para dar resposta a todos os problemas a que têm de dar resposta no dia-a-dia.
Em termos da vida paroquial, talvez seja necessário repensar as estruturas paroquiais e a forma como elas são geridas, promovendo ainda mais a intervenção e a responsabilidade dos leigos e libertando os padres para aquelas funções que lhes são específicas.
Penso que o tempo de ficar à espera, mesmo que com as portas da igreja abertas, passou, sendo necessário ir ao encontro das pessoas onde elas estão: nas suas casas, nos seus trabalhos, nos seus locais de diversão, etc., propondo o encontro com Cristo como um encontro que transforma as nossas vidas para melhor.
Não existem fórmulas mágicas, mas julgo que as propostas de discernimento existentes, embora adequadas, ainda não conseguem ser tão atrativas como outras que são apresentadas aos jovens, sendo necessário desmistificar algumas ideias erróneas que se criaram em torno da Igreja e daqueles que optam por seguir a Cristo numa vocação consagrada.
 
Dificuldades e atrações dos jovens

Quais serão as maiores dificuldades que os jovens manifestam para responder com generosidade ao chamamento de Deus? E que mais os atrai para considerar a possibilidade de uma vida inteiramente consagrada?
Como já referi, vivemos hoje num mundo globalizado, e a um ritmo muitas vezes frenético. Os jovens, envolvidos nesse frenesim, não têm, ou não querem ter tempo, para refletir sobre o seu futuro. Buscam o imediato e aparentemente mais fácil, mas que nem sempre traz a satisfação procurada. Considero ainda que a indiferença em relação a Deus e a pressão negativa da sociedade impedem muitos jovens de ter a coragem para assumir e responder a esse chamamento de Deus.
Penso que o que atrai os jovens, hoje como ontem, é a certeza de que a resposta generosa ao chamamento de Deus é uma forma de se colocar ao Seu serviço, correspondendo ao Seu Amor, e sabendo que, ao contrário do que muitas vezes é dito ou percecionado, este caminho de uma vida inteiramente consagrada a Deus não é um caminho infeliz nem solitário, antes pelo contrário.

 

Que mensagem poderias deixar a jovens que, como tu, gostariam de discernir melhor a sua vocação?
Aos jovens digo para não terem medo de arriscar e para não adiarem a decisão de responder às inquietações que vão sentindo. Sublinho que, antes de recusarem o chamamento, devem procurar esclarecer as inquietações e dúvidas que tenham falando com um sacerdote, procurando conhecer um Seminário diocesano, uma congregação religiosa ou participando num encontro de Pré-Seminário.
Considero também que não há uma idade certa para fazer esse discernimento e que o importante é dar o passo de procurar informação, mesmo que a nossa decisão possa, eventualmente, não ser bem aceite pelos nossos pais ou amigos, ou pareça ser contracorrente na sociedade atual. Por último, digo que apesar de o caminho parecer longo e difícil, ele é também deveras recompensador.

 

Pré-Seminário Jovem/Adulto