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Em espaços confinados para um desconfinamento pessoal

São tempos difíceis para viajar, para passear ou para o encontro, contudo bastante propícios a uma profunda liberdade interior. Tempos onde aprendemos que a maior riqueza não se encontra na materialidade ou nos bens, mas na descoberta do outro, na descoberta de espaços onde os nossos corpos se tocam, onde a indiferença se transforma em ajuda, tempos que nos ajudam a ver o outro como um igual, como um outro eu. Estes tempos mostram que existe uma dependência inevitável pelo outro, mais ou menos notável, mais ou menos sentida, mas sempre existente.

Em espaços confinados para um desconfinamento pessoal

Em espaços confinados para um desconfinamento pessoal

Seminário em tempos de pandemia

04 de Junho de 2020

O outro é visto de uma perspetiva diferente, uma vez que existe a necessidade de procurar compensar todo este tempo perdido, quer numa caminhada pela cidade quer num café mais prolongado. As próprias caminhadas são mais frequentes, pois o tempo, fora das paredes que nos cercam, sabe sempre a pouco. As refeições tornam-se espaços de serviço mais íntimo e sentido onde a preocupação e o cuidado caminham juntos. Existe um maior distanciamento, mas, simultaneamente, uma maior proximidade, pois, apesar de estarmos em espaços confinados, torna-se evidente um desconfinamento, não só em relação ao outro, ao próximo, mas também a nós mesmos e a Deus.

Estes tempos de confinamento desenvolveram uma maior abertura para o diálogo com Deus e para uma procura diversificada da presença divina. Procuramo-lo numa caminhada, numa leitura, no estudo, ou seja, em tudo aquilo que nos pode proporcionar o prazer dum exercício espiritual, desenvolvido na quietude e na passividade. E é na intimidade do quarto que podemos encontrar a quietude e o silêncio necessários para este encontro com nós mesmos e com Deus. Na janela, a paisagem mostra-nos sempre novidades, basta observar  tudo com atenção: o som dos pássaros, que todas as manhãs se faz ouvir, revela-se, ainda que por instantes, diferente todos os dias; as plantas crescem, e cada nova folha parece-nos mais viva e carregada; e ouve-se o toque dos sinos, vítimas da tirania do relógio…

São tempos em que a oração, a meditação e o diálogo com Deus podem ser uma alternativa, ou uma resposta, ao estado de inquietude e de aborrecimento. Mas basta existir uma predisposição para este diálogo íntimo para que os nossos olhos adquiram uma enorme capacidade de perceção daquilo nos rodeia, conferindo-nos uma sensibilidade mais fina:  achamos graça às coisas mais simples, aos mais pequenos gestos e descobrimos uma nova realidade. Encontramos essa graça na oração diária e na eucaristia, espaços íntimos onde nos é oferecido tudo aquilo que, a maior parte dos dias, nos passa despercebido.

 Necessitamos de aprender a viver plenamente com o que nos aparece entre as mãos, viver plenamente o aqui e o agora.

Rafael Gonçalves, 4º Ano; Fotos: D.R.