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Morreu Fr. Frédéric Debuyst, o monge que enalteceu as capelas dos Seminários de Braga

Nasceu em Wemmel, no dia 10 de outubro de 1922. Entrou na Abadia de Saint-André em 1943. Foi ordenado Padre no dia 1 de agosto de 1948. Morreu no dia 12 de dezembro de 2017. Foi fundador e o primeiro Prior do Mosteiro de Clerlande. Através da revista Arts d’Église e seus numerosos escritos, contribuiu decididamente para a renovação da arte sacra. Os Seminários Arquidiocesanos de Braga agradecem o seu contributo e o que escreveu acerca da renovação das suas capelas; em sua memória, propomos a releitura da passagem de um artigo, no qual comparecem as suas palavras. Rezemos por ele e agradeçamos ao Senhor tudo quanto, através da sua vida, concedeu à Igreja. Quem desejar meditar na Homilia do seu funeral, abra o link ao fundo do texto.

Morreu Fr. Frédéric Debuyst, o monge que enalteceu as capelas dos Seminários de Braga

Morreu Fr. Frédéric Debuyst, o monge que enalteceu as capelas dos Seminários de Braga

Capelas dos Seminários de Braga

11 de Janeiro de 2018


Monge beneditino e fundador do Mosteiro de Saint-André de Clerland (Ottignies, Louvain-la-Neuve), situado na Bélgica, Frédéric Debuyst é membro, desde 1977, da Comissão dos monumentos da Arquidiocese de Malines-Bruxelles. No tocante a revistas, foi diretor, de 1959 a 1980, da revista Art d'Église, e é um dos criadores da revista Chronique d’art sacré.

Durante dezenas de anos escreveu sobre as artes da Igreja e a arquitetura para a liturgia. É autor da obra emblemática, Le génie chrétien du lieu, publicada pela Editora Du Cerf, que se tornou um clássico da literatura sobre a arquitetura litúrgica, à semelhança do livro de Louis Bouyer, Architecture et Liturgie, também publicado pela Du Cerf. Nela, Debuyst estuda o «genius loci» (génio / espírito do lugar), desde a Roma antiga, divindade protetora de um lugar, para sugerir o que as grandes correntes da arquitetura consideram como experiência fundamental, isto é, a do mistério que cada lugar digno deste nome possui em si mesmo. Nesta linha de orientação, estuda mais de trinta espaços da arquitetura cristã do Ocidente, por ele frequentados: igrejas de Roma, lugares do movimento litúrgico e mosteiros beneditinos.

O Génio cristão do lugar aparece na maturidade da sua reflexão, já que, antes, escreveu outras obras nas quais se dedica à arte cristã na contemporaneidade, à liturgia a partir da obra de Romano Guardini, à espiritualidade beneditina: Le renouveau de l’art sacré de 1929 à 1962 (1991); L’Art chrétien contemporain de 1962 à nos jours (1988); Bénédictins, un art de vivre (1985); L’entrée en liturgie. Introduction à l’oeuvre liturgique de Romano Guardini (2008); sem esquecer o prefácio «Art sacré et modernité, les grandes années de la revue “Art sacré” (1992). Com grande surpresa, Frédéric Debuyst escreveu, durante o ano de 2016, um novo livro que será publicado pelas Edições Qiqajon, sobre uma série de capelas em Universidades, Seminários e instituições de ensino. Segundo informações que nos foram transmitidas por Emanuele Borsotti, monge da Comunidade Monástica de Bose, o livro será publicado este ano. Sirva a publicidade para que seja adquirido e, sobretudo, lido. Quem o ler vai encontrar palavras sobre as novas capelas dos Seminários Arquidiocesanos de Braga. São palavras de quem ficou maravilhado com o que viu e, por isso, sentiu necessidade de escrever sobre elas. As transcrições são feitas a partir do livro, cujas páginas foram gentilmente fornecidas, num documento em formato pdf, pelo próprio Frédéric Debuyst a quem agradecemos tão nobre gesto.

Tudo o que escreve têm um contexto, que não é possível apresentar agora; fica para quando o livro aparecer. A propósito do tema da colocação do altar e do ambão face-a-face, em ‘dois pólos’, ele refere várias capelas, entre elas, as capelas universitárias de Ottokar Uhl, a capela da Epifania, à qual dedica maior apresentação, situada na casa-mãe da Associação das Missões Estrangeiras, situada em Paris, onde são acolhidos estudantes e seminaristas do Extremo Oriente, sobretudo vietnamitas; obra esta dos arquitetos François Pin e Catherine Bizouard, edificada em 2002. Depois destas e, ainda, da capela dos bispos da Conferência Episcopal de França, na avenue de Breteuil, também em Paris, dedica-se à apresentação das capelas de Braga, nos seguintes termos:

«Na linha universitária, podemos hoje acrescentar-lhe construções portuguesas particularmente expressivas, a saber: as capelas dos dois seminários da arquidiocese de Braga, fruto de uma colaboração surpreendentemente complementar entre o Sul e o Norte da Europa – entre artistas noruegueses e suecos especializados no trabalho da madeira e teólogos-liturgistas portugueses – um empreendimento também “ecuménico”, porquanto aqueles são luteranos. A primeira capela, terminada em 2012, foi a do seminário das vocações tardias, pequena em dimensão (destina-se a grupos de 25 a 30 participantes na celebração), onde a extraordinária tradição norueguesa das igrejas de madeira pôde expressar-se plenamente de uma forma ao mesmo tempo arejada e compacta (Seminário Conciliar São Pedro e São Paulo – Asbjørn Andresen e Pe. Joaquim Félix – capela Árvore da Vida).»

Depois desta referência à capela Árvore da Vida, dedica-se à capela Imaculada e, dentro desta, à capela Cheia de Graça, ambas situadas no Seminário de Nossa Senhora da Conceição:

«Outra capela de seminário, também em Braga, re-adapta um vasto espaço pré-existente transformando-o num tipo duplo de ocupação: o maior diz respeito à totalidade da nave; o outro é um pequeno recinto mais fechado, também ele em madeira, o qual permanece todavia completamente “permeável” ao espaço maior.»

Numa apreciação conclusiva, situa-as dentro de um contexto próprio, que tem precedentes, embora estas capelas, na sua especificidade, apelem a ‘novas sínteses’:

«Estes exemplos “ecuménicos” de obras arquitectónicas inscrevem-se assim, cada um à sua maneira, numa linhagem já longa de espaços universitários ou estudantis, alguns dos quais se tornaram verdadeiras matrizes de referência da domus ecclesiae. Vimos como é possível talvez aduzir-lhes (nomeadamente em virtude do que encontramos nas capelas de Ottokar Uhl ou na igreja-celeiro de Rattenbach, do Professor Goergen – destinada aos estágios dos “pós-graduados”) o movimento global da pequena assembleia da Palavra na Eucaristia, em três níveis diferentes. Uma prática da celebração viva que abre para o livre-câmbio entre o “lugar educador” e o apelo contínuo a novas sínteses.»

 



Para aceder à Homilia da missa exequial:

http://www.clerlande.com/2017/12/messe-de-funerailles-du-frere-frederic/

 

Para conhecer o Mosteiro de Saint-André de Clerland (Ottignies, Louvain-la-Neuve), Bélgica:

http://www.clerlande.com/


Seminário Conciliar S. Pedro e S. Paulo