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"A maioria das pontes que atravessamos ao longo do Caminho não se constituiu como um grande desafio em termos físicos. Porém, também não foram mera passagem para a outra margem do rio."

Pontes num caminho…

Pontes num caminho…

Pontes

06 de Agosto de 2018

Quando começamos um caminho, sobretudo os que percorremos pela primeira vez, a expectativa do que vamos encontrar domina-nos. Isso acontece nos caminhos que trilhamos no dia-a-dia, nos caminhos que fazemos de uma forma particular, como o Caminho de Santiago, mas também nos «caminhos» da vida.

Foi há cerca de um mês que iniciamos a peregrinação a Santiago. Ao longo das nove etapas muitos caminhos foram percorridos. Com subidas, descidas, longas retas, curvas fechadas, sempre a espreitar o que virá depois de uma dessas curvas. Muitas foram também as pontes atravessadas, desde as mais antigas, que remontam ao tempo do domínio romano, até às mais recentes; umas mais longas, outras mais curtas. 

A letra da música «Ribeira», do grupo português Jáfumega, diz-nos que «A ponte é uma passagem p’rá outra margem. Desafio pairando sobre o rio».

A maioria das pontes que atravessamos ao longo do Caminho não se constituiu como um grande desafio em termos físicos. Porém, também não foram mera passagem para a outra margem do rio. Sim, o grande objetivo de uma ponte é ligar as margens de um rio e facilitar a comunicação entre as duas margens, mas transpondo a experiência de cruzar uma ponte para os «caminhos» da nossa vida, podemos pensar numa ponte como um período de reflexão, em que uma decisão tem de ser tomada.

Essa decisão pode resultar em permanecer na margem de cá, recusando passar para lá. Talvez isto signifique permanecer num quotidiano confortável, mas estagnado, sem o risco da escolha, com medo de enfrentar esse desafio que paira sobre a vida.

Pode passar igualmente pela resolução de atravessar a ponte, mas a meio parar a olhar para trás, deixando que a dúvida nos submeta, ficando parados no meio da ponte sem saber para que margem seguir. Também na nossa vida as dúvidas nos podem deixar parados, presos entre o conforto do passado e o medo do futuro.

Todavia, muitas das vezes atravessamos as pontes com sucesso, percebendo que o que fica para trás vai connosco, enriquecendo-nos, e contribuindo para melhor viver o que vai surgir na outra margem.

As pontes na nossa vida são abundantes, surgindo em diversas circunstâncias. A título de exemplo, podemos pensar na resposta a uma vocação como a travessia de uma ponte, muitas vezes colocada sobre o rio do medo, a qual urge atravessar, sob pena de passarmos ao lado do caminho da felicidade.

Contudo, para findar este texto, nos dias de hoje podemos pensar noutras pontes que é necessário construir e atravessar: as pontes do respeito pela dignidade humana, em toda a sua duração, pensando nas questões do aborto, da eutanásia e dos cuidados ao doente em fim de vida, mas também do acolhimento de refugiados ou das novas formas de escravatura; as pontes do respeito pela criação, de modo a construirmos e preservarmos a «casa comum» em que habitamos; ou as pontes que nos desafiam a sair do individualismo e do egoísmo, para edificarmos uma nova sociedade, mais justa e mais fraterna, em que o outro é visto como um fim e não um meio. Os rios são muitos, mas a nossa capacidade de construir pontes não é menor. Resta termos vontade e coragem para isso!

Miguel Neto, 6º ano