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O fugitivo e o peregrino

O fugitivo corre, o peregrino caminha; o fugitivo não para para descansar, o peregrino para e descansa; o fugitivo fecha-se, o peregrino abre-se.

O fugitivo e o peregrino

O fugitivo e o peregrino

perdão

08 de Janeiro de 2019

Um dos horizontes fundamentais da sabedoria do coração é a descoberta que cada um de nós vai procurando fazer ao longo de todo o seu percurso de vida - ontem ou hoje, a tempo e fora de tempo. E, numa vida em caminho, isto é o que, na maior parte das vezes, nos sustenta: descobrimo-nos inacabados, porque nos descobrimos nas mãos do oleiro, que não cessa de nos moldar.
        
Portanto, caminhar, ou seja, querer dar passos que transcendam as pernas, é uma indescritível e contínua experiência de recriação, em que o ser cede o lugar ao crescer. Viver nas mãos do oleiro é um caminho de liberdade, que se realiza na elementaridade do querer encontrar-se, fugindo ou peregrinando.
Aliás, a caminhante diferença entre o fugitivo e o peregrino é, para qualquer pecador, a personificação do caminho para o perdão. O fugitivo corre, o peregrino caminha; o fugitivo não para para descansar, o peregrino para e descansa; o fugitivo fecha-se, o peregrino abre-se.
O fugitivo não vê, olha, o peregrino olha, vê e repara. O fugitivo tem medo das mãos do oleiro, mas o peregrino anseia por elas, porque se descobriu como inacabado.
           
A reconciliação, no seu amago, é o abraço do pecador com Deus, embora sejam fugitivos ou peregrinos, todos o hão de experimentar!

Rui Machado