A experiência de vida em comunidade

Os ambientes da formação

A vida em comunidade

A experiência de vida em comunidade é um dos aspectos mais específicos que o SM pode proporcionar. Mais que um espaço ou uma instituição, o SM é uma experiência de discipulado, que poderia ser vivido em contexto familiar e paroquial, é certo, mas a experiência da vida em comunidade que o SM proporciona, à imagem do discipulado de Cristo com os Doze, é um passo novo de aprofundamento a quem se deixa questionar pelo convite de Jesus a segui-l’O. Elemento fundante e fundamental, a vida em comunidade manifesta-se propícia a um crescimento integral e saudável. Como Cristo, na vida familiar de Nazaré, e depois na vida pastoral com os discípulos, os seminaristas são chamados a cultivar `entre si os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus` (Fl 2,5), partilhando alegrias e preocupações, participando da vida da casa, cuidando dos espaços comuns, na realização das tarefas quotidianas, no asseio dos espaços comuns, no trabalho simples, gratuito e escondido.

 

A Família

Os adolescentes que são acolhidos no Seminário Menor nunca deixam de pertencer à sua própria família; e a família permanece sempre a última responsável do acompanhamento do crescimento dos seus filhos. Contudo, na experiência de vida comunitária no SM, esta pertença necessariamente transforma-se e enriquece-se de outras experiências e vivências, que visam enriquecer o caminho pessoal e comunitário de conhecimento e de reconhecimento. Por esta razão o SM promove uma atenção cada vez mais personalizada ao percurso de cada família dos seminaristas acolhidos; bem como uma atenção para que as próprias famílias (especialmente os pais) possam crescer no seu caminho de fé, na compreensão da sua própria vida como vocação, para que sejam capazes de sustentar e acompanhar o caminho dos próprios filhos. É relevante manter sempre a atenção ao tecido relacional de cada formando, para que possa conhecer-se a si próprio melhor e mais plenamente, conhecendo a sua história familiar, os estilos de relação da sua família, as suas potencialidades, bem como as suas fragilidades e feridas. A Constituição Lúmen Gentium, numa expressão que o Ritual do Baptismo recuperou para a Bênção, dispõe que os `pais sejam, para os filhos, através da palavra e do, exemplo, os primeiros anunciadores da fé, fomentem sempre a vocação própria de cada um, e, com especial cuidado, a vocação sagrada` (LG 11). Primeiros responsáveis, os pais não são, no entanto, os únicos, mais ainda na especificidade da vida consagrada. A colaboração estreita e continuada do SM com as famílias é uma necessidade incontornável e partilhada.

A comunidade paroquial

A vida no SM comporta uma transformação da relação com a comunidade de origem. Na verdade, a comunidade que os viu nascer para a fé pelo baptismo e que permanecerá sempre como uma referência indelével no percurso vocacional do adolescente/jovem, deixa de ser o contexto vital da vivência da fé do candidato. O SM passará a ser a comunidade onde se vive e sente com a Igreja e na Igreja. Todavia, a vida no SM não implica um corte com a comunidade de origem, pelo contrário, permitirá uma comunhão mais profunda porque redimensionada e iluminada a partir de Deus. Uma dimensão a cuidar, na relação do seminarista com a sua comunidade de origem, será a da participação na vida pastoral paroquial, sem perder de horizonte que a vocação não é um privilégio mas condição comum a todos os baptizados. Por isso, evite-se, na medida do possível, que o seminarista assuma um lugar de destaque na liturgia, nos serviços paroquiais e que seja sobrevalorizado devido ao percurso que está a realizar.

A escola

Se, durante décadas, o SM assegurou, por si mesmo, a FI dos seus membros, actualmente, tal tarefa resulta impossível, seja por meios humanos seja por recursos financeiros. Sendo responsabilidade do Ordinário do lugar, nestes casos, definir a escola a frequentar, a escolha tem recaído sobre o Colégio de Dom Diogo de Sousa, na cidade de Braga. Pela sua proximidade geográfica, pela colaboração pronta e disponível, pela facilitação nos horários da comunidade, pela oferta pedagógica e grau de exigência, pelo diálogo e acompanhamento, o Colégio tem sido uma mais valia na colaboração ao SM para a FI. Como lugar de convivência entre coetâneos, proporciona, ainda, a abordagem de aspectos fundamentais nas outras vertentes da formação, nomeadamente: o diálogo com os que pensam e acreditam diferente; o convívio sereno, salutar e responsável com todos, nomeadamente, com o género feminino; o autêntico sentido de amizade a desenvolver; o espírito de iniciativa e criatividade; o gosto pela aprendizagem e alegria do estudo; o reconhecimento das próprias capacidades como dom de Deus a desenvolver.

O tempo de férias

As férias são, normalmente, um tempo em que o acompanhamento, em linha de continuidade com a proposta do Seminário, é confiado à família, e onde a preocupação pelas diferentes dimensões da formação deve estar presente. O SM propõe para esta etapa do ano um Encontro de Férias, como tempo oportuno para reforçar os laços de amizade e confiança entre todos os membros da comunidade, para avaliar cada ano que termina e para preparar o novo ano que se avizinha. Além disso as férias serão tempo propício para as actividades do escutismo, e para a semana de voluntariado que os últimos anos são convidados a experienciar. A família e a comunidade paroquial ajudarão a velar para que a oração e espiritualidade continuem a ser o centro da vida diária, o estudo não perca o seu ritmo, a vida comunitária configure a Cristo Bom Pastor, o tempo de descanso seja escola de humanidade, a fim de que, como Jesus, também em tempo de férias o seminarista cresça em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.

 

A experiência de vida

Mais que um espaço ou uma instituição, o SM é uma experiência de discipulado, que poderia ser vivido em contexto familiar e paroquial, é certo, mas a experiência da vida em comunidade que o SM proporciona, à imagem do discipulado de Cristo com os Doze, é um passo novo de aprofundamento a quem se deixa questionar pelo convite de Jesus a segui-l’O.