Faz Sentido

É uma comunhão de pessoas que seguem um ideal: Jesus Cristo.

Bem-vindo ao Faz Sentido

Seminário Menor

PROJETO EDUCATIVO

"É "abrir os ouvidos do coração" para a escuta da vontade de Deus acerca da nossa vida.”

Paulo Jorge Gomes

Apresentação

Este caminho é o da configuração com Cristo Jesus

Nos documentos eclesiais, referentes ao acompanhamento vocacional e á formação sacerdotal, o Seminário Menor (SM) é definido como a resposta solícita da Igreja às sementes da vocação que o Senhor deposita nos adolescentes e nos mais jovens. O SM é, assim, chamado a ser caminho concreto de discernimento, sério e amadurecido, para todo o jovem que se dispõe "seguir de ânimo generoso e coração puro a Cristo Redentor" (OT 3). Este caminho é o da configuração com Cristo Jesus, que a experiência do Templo e a vida escondida de Nazaré manifestam. De Nazaré a Jerusalém, da casa dos pais à casa da comunidade, Jesus vive o tempo do Templo escutando e questionando, na escuta da Palavra e na intimidade com o Pai. De Jerusalém a Nazaré, foi crescendo em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens (Lc 2, 52). Tal é o horizonte da formação do SM: gradual e em todas dimensões, naquela medida de Cristo que o seminarista é chamado, nesta etapa da sua existência, a realizar. A proposta de vida que o SM propõe é o seguimento de Jesus com todas as forças da mente e do coração, num contexto comunitário marcado por um clima sereno e familiar, na alegria da vida fraterna, na possibilidade de uma formação integral e coerente, que respeita as exigências de cada idade, mas é capaz de fazer suscitar escolhas responsáveis e generosas. Na linguagem simbólica do seu Hino, o Seminário de Nossa Senhora da Conceição é definido como `Sementeira de fé viva, ardente`, que `brota alegre no campo de Deus!`. Sim, o Seminário é sementeira onde a Igreja acolhe as sementes vocacionais que o Senhor da Messe lança entre os seus filhos mais jovens. Sementes habitadas por uma força criadora, de onde, em condições favoráveis, brotam raízes e frutos. Da natureza colhemos a necessidade de que as raízes mergulhem em profundidade, na busca de águas refrescantes, pois a sua vitalidade não se coaduna com comodismos ou superficialidades.

Profundidade

Da natureza colhemos a necessidade de que as raízes mergulhem em profundidade, na busca de águas refrescantes, pois a sua vitalidade não se coaduna com comodismos ou superficialidades.

O Seminário

Ao serviço do crescimento integral do adolescente

O SM é o tempo da descoberta e do aprofundamento vocacional, de compreender e corresponder ao dom da própria vocação, enquanto dom de Deus e decisão pessoal. Não se trata, contudo, de uma proposta exclusiva mas como complementar de outros tipos de acompanhamento que a Igreja proporciona àqueles que sentem a possibilidade do chamamento ao sacerdócio nesta etapa da vida que, segundo alguns entendidos em pastoral vocacional, a idade mais apropriada, por princípio, para a primeira proposta vocacional efectiva. O Seminário Menor é um tempo ao serviço do crescimento integral do adolescente no progressivo discernimento vocacional, apresentando a vida cristã como chamada e vocacionada à santidade, ao serviço, ao testemunho, ao seguimento, à descoberta do próprio estado de vida. Divide-se em duas etapas. A primeira, o Pré-Seminário, continua a ser o espaço do primeiro contacto com a realidade do Seminário, a antecâmara do SM. Procuramos nesta etapa conhecer e discernir as expectativas e motivações de cada um, das suas famílias e comunidades paroquiais. A segunda etapa é a Vida em Comunidade, na qual a riqueza de relações interpessoais, e o ambiente sereno e familiar, convidam a seguir o Senhor Jesus na alegria da vida fraterna, na partilha e na ajuda recíproca. A missão do SM é, pois, acompanhar estes jovens que sentem o apelo do Senhor a uma possível entrega ao Seu serviço no ministério sacerdotal, e proporcionar-lhes um caminho de discernimento adequado à sua idade e situação. Têm, por isso, lugar no SM todos aqueles jovens que vislumbram já como claro o horizonte de uma vida sacerdotal, mas também todos aqueles que a admitem apenas como possível, ou mesmo aqueles que ainda reservam dúvidas e hesitações, desde que possuindo as devidas qualidades humanas, e não afastem de todo a fundada esperança de se poderem apresentar, no futuro, à Igreja para o exercício do ministério presbiteral.

Missão

Acompanhar estes jovens que sentem o apelo do Senhor a uma possível entrega ao Seu serviço no ministério sacerdotal, e proporcionar-lhes um caminho de discernimento adequado à sua idade e situação

As dimensões da formação

Dimensão Humana, Espiritual, Intelectual e Pastoral.

Da exortação apostólica Pastores Dabo Vobis (PDV), documento incontornável e referência mais recente para a formação nos Seminários, tomamos as dimensões que apresenta para a formação sacerdotal, salvaguardando a devida especificidade do SM como tempo de discernimento mais inicial e de primeiro acompanhamento. A saber: dimensão humana, dimensão espiritual, dimensão intelectual e dimensão pastoral.

Formação Humana (FH)

O SM procura ser “escola de humanidade” porque escola de fé autêntica e da descoberta da relação essencial para o ser humano: a relação com Jesus. Por isso, na vida do SM, a FH ainda mais se pauta pela atenção à pessoa em crescimento, às suas exigências mais profundas; sempre em atitude de discernimento, de leitura e compreensão dos “sinais de Deus” na vida e no despertar da pessoa. Para que a pergunta sobre a própria vida e o próprio futuro seja tal, e não apenas a conformação a um “estereótipo social”, ou menos, uma fuga perante a incerteza e a complexidade da vida adulta e de uma cultura complexa e, por vezes, contraditória. O que se pretende é acompanhar cada adolescente para que aprenda a conhecer e a reconhecer a voz de Deus na sua vida íntima e pessoal. No fundo é somente isso que significa o discernimento, a procura atenta da compreensão do próprio projecto pessoal de vida. Nesta perspectiva a FH deve fomentar e acompanhar a passagem de uma “religiosidade extrínseca” e social, para uma “religiosidade intrínseca” e pessoal; de uma relação objectiva com Deus, para uma relação cada vez mais pessoal, íntima e encarnada na história pessoal de cada adolescente. Por isso a FH precisa de cuidar do crescimento e do desenvolvimento moral, afectivo e espiritual dos adolescentes que se encontram neste percurso. Concretamente, podem ser úteis experiências e práticas adequadas ao crescimento e desenvolvimento destas atitudes, tais como propor uma reflexão depois de alguns momentos significativos da vida pessoal e comunitária; praticar a revisão de vida e a reflexão em comunidade sobre as experiencias e acontecimentos da semana e do mês. São práticas que ajudam a educar para o exercício de uma leitura sapiencial da vida pessoal e comunitária, que permita desenvolver uma maior capacidade de autoconhecimento e sensibilidade para introspecção. Uma boa prática que acompanhe e auxilie a capacidade de reflectir em profundidade é também o escrever as próprias reflexões num espécie de “diário espiritual”, que permita a cada adolescente de reler as etapas do seu crescimento, compreender as suas inquietações, reconhecer a voz do Senhor que se lhe aproxima e lhe fala nos acontecimentos da vida quotidiana. Uma atenção particular da FH no SM será dedicada ao desenvolvimento afectivo. Esta é, de facto, uma etapa do desenvolvimento humano de grandes potencialidades e desafios, que precisa, porém, de acompanhamento, confiança, esperança e grandes horizontes, para que não nos deixemos desnortear apenas para os aspectos mais visíveis de desequilíbrio, de inquietação e de “imaturidade” que mais se manifestam. Pelo contrário, a este respeito a FH pode assumir um papel proactivo, no sentido de provocar a reflexão, um autoconhecimento mais aprofundado, levantando questões mais de que fornecendo respostas preconcebidas.

Formação Espiritual (FE)

No início da fé cristã está uma pessoa, Jesus de Nazaré, morto e ressuscitado. É Ele quem dá um outro sentido à vida humana, porque lhe revela toda a sua dignidade e beleza! O SM proporciona esta experiência do ressuscitado particularmente na FE, como oportunidade de discernimento e percepção do desígnio pessoal de Deus para cada um, na escuta e meditação da Palavra de Deus, no reconhecimento do próprio mundo interior, no acolhimento da história pessoal como lugar concreto onde Deus fala e solicita resposta, na oração que aprofunda e tece a amizade e a intimidade com Deus. Pretende-se nesta dimensão que aconteça autêntico encontro de cada seminarista com Cristo na oração pessoal e comunitária, na celebração dos Sacramentos, na direcção espiritual, e na formação da fé (catequese). Como momentos mais significativos sublinhamos os colóquios individuais com o Director Espiritual, a manhã da recolecção mensal, o retiro anual, a Revisão de vida semanal, a celebração comunitária do perdão e da reconciliação nas celebrações penitenciais trimestrais, os momentos de oração pessoal e comunitária. Os colóquios pessoais. A direcção espiritual é o acompanhamento individual e fraterno por um irmão mais velho, que pretende ajudar a perceber a voz de Deus entre tantas outras vozes, a preparar a resposta ao que Ele propõe, a crescer na intimidade com o Senhor, e a assumir livremente as consequências deste diálogo/relação. Assim, os colóquios pessoais devem partir e centrar-se na experiência quotidiana da relação com Deus, entendida e percebida não como acontecimento isolado ou momentâneo, ou mesmo concepção intelectual/idealista, mas como experiência concreta e relação permanente com Deus, que se realiza prioritariamente na oração. A vida espiritual deve ser pautada por um encontro mensal com o Director Espiritual. Os temas a desenvolver, sem descurar a gradualidade já referida, e a experiência pessoal de cada um dos acompanhados, são: a oração como experiência de escuta, de silêncio, e da Palavra de Deus; a experiência de fé como relação pessoal e de confiança com Cristo, a quem se oferece a vida, numa perspectiva comum ainda da vida como vocação baptismal e como seguimento de Cristo; o reconhecimento dos sinais que inspiram confiança para avançar, distinguindo os sinais que são de Deus e os que não o são, pois só os primeiros esclarecem por onde avançar e quais os fundamentos para uma decisão; o aprofundamento da fé como experiência comunitária e eclesial, que ultrapassa a visão individualista e fechada da relação com Deus. O retiro Anual. Com a duração aproximada de 3 dias para os mais novos e de 4 dias para os dois últimos anos, pretende não só ser um momento mais sistematizado e prolongado do acompanhamento por parte do director espiritual, como também um tempo onde estar liberto das ocupações e preocupações quotidianas significa maior disponibilidade interior e aprofundamento da intimidade com Deus. A recolecção mensal e a revisão de vida semanal. Assim como o retiro para os colóquios individuais, assim a revisão de vida se situa para a recolecção mensal. É a oportunidade de aprender a reconhecer os sinais de Deus no concreto da vida, nas pessoas, acontecimentos, experiências e sentimentos vividos e mais significativos durante o mês/semana. É oportunidade para a experiência concreta da dimensão comunitária da vida que o Seminário proporciona, onde a história pessoal se entrelaça com a vida e história de todos os outros membros da comunidade (seminaristas, formadores), como momento forte de vida fraterna, pois o que nos constitui enquanto comunidade não é o facto de habitar o mesmo espaço geográfico mas de partilharmos a vida. Proporciona ainda o aprofundamento de um conjunto de temas necessários ao conhecimento da tradição espiritual da Igreja, sempre partindo da leitura e escuta da Palavra de Deus. A oração comunitária e pessoal. A liturgia, mais que rito, é VIDA, e traduz-se no cuidado da preparação e na vivência dos momentos pessoais e comunitários da oração. A eucaristia é o centro e a referência principal da vida quotidiana. Mas o encontro com Deus acontece ainda na oportunidade da celebração dos sacramentos e da liturgia das horas, na recitação do terço, na adoração ao Santíssimo Sacramento, nas devoções dos tempos liturgicamente mais fortes (via crucis, via lucis)... Momentos vários e diferenciados onde se procura evitar rotinas, para que o estar com Deus transforme a vida. A celebração do perdão e da reconciliação. Sublinhando a dimensão comunitária do perdão, e procurando introduzir o encontro pessoal com Cristo na celebração da misericórdia e do perdão de Deus, e no sacramento da Reconciliação, é de todo conveniente que se possibilite no final de cada trimestre uma celebração penitencial.

Formação Intelectual (FI)

Falar da formação intelectual é falar de um caminho longo na sua acção no tempo, longo na sua concretização, mas também longo pelo que se pretende na sua profundidade e exigência, não apenas na preocupação por um desenvolvimento equilibrado e um crescimento amadurecido, como também pelas contingências e dificuldades que a vida académica hoje coloca, pedindo resultados que são medidos em casas decimais. Com facilidade entendemos esta área da formação unicamente como sinónimo da aquisição de conhecimentos e competências, cuja avaliação se mediria, no imediato, pelas classificações das provas prestadas e pela transição - ou não - de ano. Contudo, confundir FI com transitoriedade de níveis de ensino ou com a aquisição dos diferentes saberes, afigura-se redutor. Porque a formação intelectual pretende, para além disso, cuidar também da atenção a si próprio e aos outros, à vida e às suas circunstâncias, de modo que cada pessoa, questionando o mundo à sua volta e colocando-se em questão, se torne sujeito do seu próprio crescimento pessoal, pela leitura consciente e crítica da realidade e do mistério da própria existência. Compreendendo, deste modo, a diferença entre intelectualidade e sabedoria, situamos esta formação no campo da arte, e não apenas do esforço físico, como exercício de beleza e bondade e não de ginásio. Daí que a vinculação afectiva jogue um papel decisivo. Porque o desejo de aprender é primordial para o desenvolvimento adequado neste campo, e porque o mundo interior, pacificado ou revolto pela história pessoal, influi significativamente no desenrolar desta dimensão. Cuidar do estudo e da atenção só se torna possível na medida em que a vida pessoal é capaz de caminhar com o mínimo de serenidade. Sem estes aspetos resolvidos, a FI pode estar, irremediavelmente, condenada ao fracasso. A FI caminha, indelevelmente, lado a lado com a formação humana e com a formação espiritual. Em contexto de experiência de fé e de discernimento vocacional, como aquele que vivemos em ambiente de SM, a FI assume-se, ainda, como interlocutora na procura da verdade que liberta, isto é, Jesus Cristo. E tal acontece na medida em que esta formação participa da construção de uma fé consistente e razoável, que procura as razões da fé que nos habita e nos anima, e purifica as motivações para seguir o Senhor Jesus como seu discípulo, e portanto também na vida sacerdotal, porque alicerça essas motivações numa fé esclarecida e comprometida. `Os estudos escolares são um (desses) campos que encerram uma pérola pela qual vale a pena vender todos os bens, sem nada guardar para si, a fim de a poder comprar` (Simone Weil). O deficit na formação de base, a falta de hábitos e motivações para o estudo, o olhar imediato e funcional com que se perspetiva o sucesso escolar, o ambiente de facilitismo e relativismo que marca o tempo actual também na vida escolar, a abundância de factores distractivos e a dispersão de ofertas e propostas lúdicas, a dificuldade de abertura à novidade e aos que pensam diferente - sobretudo coetâneos, o equilíbrio no uso das novas tecnologias, entre outros aspectos, são os aspectos a ter em conta nesta dimensão formativa. O SM investirá, ainda, como formação específica, na área da música, da educação para a arte e para expressão corporal, oral e escrita, através do teatro e de ateliers de leitura e de escrita.

Formação Pastoral (FP)

A referência é sempre Cristo Bom Pastor. Em boa verdade, Cristo é não apenas Bom mas único Pastor, com o qual somos chamados a identificar-nos, e do qual somos chamados a ser mediadores. Contudo, nesta fase, a identificação e mediação acontece, não tanto por aquilo que se faz ou pelas actividades desenvolvidas, mas pelas atitudes que se cultivam. Os seminaristas não são pastores e não devem assumir responsabilidades pastorais específicas. Devem, isso sim, cuidar em si `os mesmos sentimentos` de Cristo Pastor. No nosso contexto social e eclesial, a figura do padre ainda reserva algum prestígio. E as comunidades cristãs acarinham os seminaristas desde a etapa mais inicial. Ora, pensar a FP a partir do que se é chamado a ser, antes do que se é chamado a fazer, é a única forma de evitar o risco bem real de que o seminarista se fixe na identificação de um papel/função que o sacerdote pode exercer, ou se deixe levar na expectativa das tarefas que a comunidade dele espera - e são ainda precoces; para se centrar na construção de uma personalidade integral e madura. Antes da formação como pastor, a formação como pessoa humana e discípulo de Cristo. Centrando-se na ordem do ser e não do fazer ainda, a dimensão pastoral passa pelo cuidado e cultivo daquelas atitudes que se esperam num futuro pastor. Sublinhamos: a) capacidade de diálogo e de saber estar com os outros, sobretudo com os que pensam/acreditam diferente; b) sentido do serviço que recusa qualquer superioridade, da humildade de quem tem consciência que não sabe tudo, e por isso escuta, espera e está disponível; c) sentido da amizade, proximidade, compreensão, desprendimento, esquecimento de si próprio, exigência; d) capacidade de doação de si próprio e não a busca do próprio benefício; e) espírito de iniciativa, trabalho em equipa, auto-conhecimento e auto-domínio, saber pedir e repartir responsabilidades; f) a capacidade de criar pontes, sabendo que a argumentação meramente apologética não convence nem aproxima, mas o saber pensar, discernir e compreender permitem o diálogo e a proximidade com todos; g) o sentido da conhecimento humilde, de quem tem consciência que é sempre mais o que falta aprender do que aquilo que se sabe; h) fundamental, ainda, a forma como cuidam as coisas comuns, o zelo e o pareço pelo património, que se revela no cuidado pela casa e na participação das tarefas quotidianas. É fundamental, ainda, educar para o conhecimento e sentido verdadeiramente crítico sobre a vida da Igreja e do mundo. Serão chamados a ser pastores, neste tempo e nesta história, neste contexto social e cultural. E, concretamente, pastores para as pessoas e com as pessoas concretas dos nossos dias. E a experiência eclesial com que chegam ao Seminário é, por vezes, mais marcada por uma visão tradicionalista e funcionalista, do que propriamente do seu reconhecimento como corpo vivo de Cristo, que se pode experienciar numa multiplicidade de experiências, mas que implica sempre relação pessoal com Ele. Equilibrando o conhecimento teórico e as experiências práticas, é necessário ter em conta que as actividades a desenvolver devem ser adequadas à idade, respeitar o princípio da gradualidade, e devem acontecer sobretudo em tempo de férias. De momento, sublinhamos a experiência de voluntariado que é proposto no final do 11º Ano, a participação no escutismo nas suas diferentes etapas e na organização do ACAV (Acampamento Vocacional de Verão), a dinamização da Equipa de Logística, a colaboração na Semana dos Seminários e das Vocações… A preocupação não será elaborar um programa fechado, mas o desafio de discernir continuadamente as actividades a propor. É importante ainda que a atenção não se centre apenas na execução dessas tarefas/actividades, mas se proceda também à revisão das mesmas, pois são momentos que proporcionam ferramentas de leitura para o discernimento vocacional: o aluno, avaliando em consciência a sua acção apostólica no seu desempenho e capacidades; o formador, para discernir e julgar objectivamente essas mesmas experiências. A FP permite tomar consciência da importância de um crescimento saudável e equilibrado, e da relação entre as diferentes dimensões da formação: aí se percebe a conveniência de uma personalidade madura, de uma vida centrada na oração, da necessidade de suficiente formação académica… e em quais precisa mais de investir. É necessário ter presente que actividades de âmbito pastoral podem também ser geradoras de momentos de crise: pela profundidade das experiências, pelas confusões na vida afectiva, pelos maus testemunhos, pela falta de resposta dos destinatários, por experiencias pastorais negativas...

Dimensão

O SM procura ser “escola de humanidade” porque escola de fé autêntica e da descoberta da relação essencial para o ser humano: a relação com Jesus.

A experiência de vida em comunidade

Os ambientes da formação

A vida em comunidade

A experiência de vida em comunidade é um dos aspectos mais específicos que o SM pode proporcionar. Mais que um espaço ou uma instituição, o SM é uma experiência de discipulado, que poderia ser vivido em contexto familiar e paroquial, é certo, mas a experiência da vida em comunidade que o SM proporciona, à imagem do discipulado de Cristo com os Doze, é um passo novo de aprofundamento a quem se deixa questionar pelo convite de Jesus a segui-l'O. Elemento fundante e fundamental, a vida em comunidade manifesta-se propícia a um crescimento integral e saudável. Como Cristo, na vida familiar de Nazaré, e depois na vida pastoral com os discípulos, os seminaristas são chamados a cultivar `entre si os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus` (Fl 2,5), partilhando alegrias e preocupações, participando da vida da casa, cuidando dos espaços comuns, na realização das tarefas quotidianas, no asseio dos espaços comuns, no trabalho simples, gratuito e escondido.

A Família

Os adolescentes que são acolhidos no Seminário Menor nunca deixam de pertencer à sua própria família; e a família permanece sempre a última responsável do acompanhamento do crescimento dos seus filhos. Contudo, na experiência de vida comunitária no SM, esta pertença necessariamente transforma-se e enriquece-se de outras experiências e vivências, que visam enriquecer o caminho pessoal e comunitário de conhecimento e de reconhecimento. Por esta razão o SM promove uma atenção cada vez mais personalizada ao percurso de cada família dos seminaristas acolhidos; bem como uma atenção para que as próprias famílias (especialmente os pais) possam crescer no seu caminho de fé, na compreensão da sua própria vida como vocação, para que sejam capazes de sustentar e acompanhar o caminho dos próprios filhos. É relevante manter sempre a atenção ao tecido relacional de cada formando, para que possa conhecer-se a si próprio melhor e mais plenamente, conhecendo a sua história familiar, os estilos de relação da sua família, as suas potencialidades, bem como as suas fragilidades e feridas. A Constituição Lúmen Gentium, numa expressão que o Ritual do Baptismo recuperou para a Bênção, dispõe que os `pais sejam, para os filhos, através da palavra e do, exemplo, os primeiros anunciadores da fé, fomentem sempre a vocação própria de cada um, e, com especial cuidado, a vocação sagrada` (LG 11). Primeiros responsáveis, os pais não são, no entanto, os únicos, mais ainda na especificidade da vida consagrada. A colaboração estreita e continuada do SM com as famílias é uma necessidade incontornável e partilhada.

A comunidade paroquial

A vida no SM comporta uma transformação da relação com a comunidade de origem. Na verdade, a comunidade que os viu nascer para a fé pelo baptismo e que permanecerá sempre como uma referência indelével no percurso vocacional do adolescente/jovem, deixa de ser o contexto vital da vivência da fé do candidato. O SM passará a ser a comunidade onde se vive e sente com a Igreja e na Igreja. Todavia, a vida no SM não implica um corte com a comunidade de origem, pelo contrário, permitirá uma comunhão mais profunda porque redimensionada e iluminada a partir de Deus. Uma dimensão a cuidar, na relação do seminarista com a sua comunidade de origem, será a da participação na vida pastoral paroquial, sem perder de horizonte que a vocação não é um privilégio mas condição comum a todos os baptizados. Por isso, evite-se, na medida do possível, que o seminarista assuma um lugar de destaque na liturgia, nos serviços paroquiais e que seja sobrevalorizado devido ao percurso que está a realizar.

A escola

Se, durante décadas, o SM assegurou, por si mesmo, a FI dos seus membros, actualmente, tal tarefa resulta impossível, seja por meios humanos seja por recursos financeiros. Sendo responsabilidade do Ordinário do lugar, nestes casos, definir a escola a frequentar, a escolha tem recaído sobre o Colégio de Dom Diogo de Sousa, na cidade de Braga. Pela sua proximidade geográfica, pela colaboração pronta e disponível, pela facilitação nos horários da comunidade, pela oferta pedagógica e grau de exigência, pelo diálogo e acompanhamento, o Colégio tem sido uma mais valia na colaboração ao SM para a FI. Como lugar de convivência entre coetâneos, proporciona, ainda, a abordagem de aspectos fundamentais nas outras vertentes da formação, nomeadamente: o diálogo com os que pensam e acreditam diferente; o convívio sereno, salutar e responsável com todos, nomeadamente, com o género feminino; o autêntico sentido de amizade a desenvolver; o espírito de iniciativa e criatividade; o gosto pela aprendizagem e alegria do estudo; o reconhecimento das próprias capacidades como dom de Deus a desenvolver.

O tempo de férias

As férias são, normalmente, um tempo em que o acompanhamento, em linha de continuidade com a proposta do Seminário, é confiado à família, e onde a preocupação pelas diferentes dimensões da formação deve estar presente. O SM propõe para esta etapa do ano um Encontro de Férias, como tempo oportuno para reforçar os laços de amizade e confiança entre todos os membros da comunidade, para avaliar cada ano que termina e para preparar o novo ano que se avizinha. Além disso as férias serão tempo propício para as actividades do escutismo, e para a semana de voluntariado que os últimos anos são convidados a experienciar. A família e a comunidade paroquial ajudarão a velar para que a oração e espiritualidade continuem a ser o centro da vida diária, o estudo não perca o seu ritmo, a vida comunitária configure a Cristo Bom Pastor, o tempo de descanso seja escola de humanidade, a fim de que, como Jesus, também em tempo de férias o seminarista cresça em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.

A experiência de vida

Mais que um espaço ou uma instituição, o SM é uma experiência de discipulado, que poderia ser vivido em contexto familiar e paroquial, é certo, mas a experiência da vida em comunidade que o SM proporciona, à imagem do discipulado de Cristo com os Doze, é um passo novo de aprofundamento a quem se deixa questionar pelo convite de Jesus a segui-l'O.